segunda-feira, novembro 27, 2006

Os mamarrachos da APL para o Cais do Sodré:


Voltando aos mamarrachos em pré-construção no Cais do Sodré, projecto do Arq. Taínha (sim, o mesmo que desenhou a demolição da casa de Garrett!) para a APL com vista à instalação das sedes da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (que o governo anterior apadrinhou e este anuiu, e esta CML disse ámen, comissariado incluído e que, recordo, correspondem, na prática, a um encaixe da APL de 185.000€/ano durante 25 anos!), eis o justíssimo protesto que consta no blog internacional do The INTBAU College of Traditional Practitioners (ICTP), rede internacional de construção, arquitectura e urbanismo. As fotos são a prova-dos-nove para aqueles que ainda não se aperceberam do efeito destes mamarracho no sistema de vistas, na mancha verde ali existente e no acesso público à frente ribeirinha.



Paulo Ferrero

7 Comments:

At 1:41 da tarde, Blogger André Bernardes said...

bem, chamar 'mamarrachos' aos edifícios projectados por aquele que pode ser considerado o Mestre de várias gerações de arquitectos da Escola de Lisboa, uma espécie de Siza a sul, admirado pelos seus pares (a não ser por aquelas raras e bizarras excepções, que as há sempre em todas as áreas profissionais...) é, no mínimo, uma enorme irresponsabilidade (ou, sendo mais exacto, uma barbaridade equivalente àquela que é evocada, e que parece resultar de mais um sofisma? ou simples ignorância?), tão grande como pôr em causa a recente iniciativa de revitalização da Baixa-Chiado, por meras politiquices, adivinhando-se todas as implicações na candidatura desta a Património Mundial...fazendo de conta que o verdadeiro problema, este sim lamentável e incompreensível, não é o estado de abandono a que esta zona em particular, e respectiva envolvente(!?) em geral, tem sido sistematicamente votada...o muito apreciado imobilismo, e que assim se arrisca a continuar, com os inevitáveis e eternos tapumes das obras, quantas vezes paradas (!?) proliferando nesta paisagem singular de janelas entaipadas...quase fantasmagóricas!

 
At 2:29 da tarde, Blogger O Carmo e a Trindade said...

São mamarrachos para aquele sítio. Por mim, pode construí-los onde lhe der na real gana, mas não ali, como é óbvio. Além do mais, são projectos dispensáveis, sobretudo porque o Observatório e a Agência podem ficar onde já estão, sem necessidade de irem para ali. À Candidatura à UNESCO, bem podem metê-la na gaveta. Quanto ao "Siza a sul", a consideração que me merecia, deixei-a de a ter depois do distinto arquitecto ter pactuado com o crime na casa de Garrett.

Paulo Ferrero

 
At 5:02 da tarde, Blogger André Bernardes said...

mas, será que são, assim, mesmo dispensáveis? há quantos anos aqueles edifícios estão devolutos e com os vidros partidos? até quando aquele anel rodoviário de condutores furibundos à procura de um lugar impossível, a não ser nos parques improvisados que vão surgindo (entre tapumes ; )
Espaços como a frente ribeirinha de Lisboa (porque não divulgar a exposição dos trabalhos a concurso de ideias, realizado, salvo erro, em 1988? porque não um novo concurso? -ao fim de quase vinte anos!- patrocinado pela câmara e a O.A., divulgando a iniciativa junto dos profissionais e do público em geral) estão decadentes e precisam de intervenções integradas, pensadas como um conjunto, embora sem se descurar a atenção das partes que o constituem (o príncipio metodológico deve vir da filosofia!) acontecendo, por vezes, que até exigem medidas fora dos limites iniciais da área...veja-se a circular das colinas; A questão de construir ou não é quase recorrente nestas áreas sensíveis (lembremo-nos da recente 'Casa dos Vinte', intervenção do Arq.ºTávora, junto à Sé do Porto) mas, sejamos seguros de quem faz e porquê e admitamos que intervir em sítios destes não se pode resumir a fazer espaços públicos de lazer e recreio, ou zonas verdes (que também são precisos) mas é, principalmente, intervir aqui e ali,'cirurgicamente', propondo um binómio edificado-actividades, que enobreça e revitalize essas mesmas áreas, isto é, ajudem-nas a ter vida própria. É claro que fazer 'património (de) hoje', construir sob o olhar atento de milhares de críticos(!) é uma tarefa arriscada, penosa, mas igualmente uma obrigação profissional, uma forma de coragem política e cívica, pois trata-se de dar continuidade ao processo sempre inacabado de construir a cidade - claro que sem cair excessos, em atitudes opostas àquelas do tipo museológicas, que igualmente condenariam o futuro, nem em quaisquer mimetismos obtusos, do tipo saudosista-facilitista!
Sobre a ‘chamada’ Casa Garret, um caso distinto, exterior, que não deve servir de condenação a ninguém, apenas vi uma fotografia no jornal, aliás para justificar a inexistência de valor arquitectónico da peça...se havia ou factores intangíveis, de memória de vivências do escritor, já não sei! mas não terá sido apenas uma entre as várias casas que o autor habitou? uma Casa Museu (que já deve existir?) não deveria antes resultar do facto de ser a sua casa natal, de linha familiar, ou, na pior das hipóteses, a sua última morada?
Cordialmente.

 
At 7:53 da tarde, Blogger Goncalo Cornelio da Silva said...

Caro André Bernardes

És uma besta*? Ou não percebes nada de arquitectura. Fazes parte do rebanho?.
Então pelo facto de ser o Siza do sul devemos aceitar tudo o que faz? Desculpa que te diga mas não bates bem da bola.
Quanto a pastiche, explico-te que vem de pasttichio, significa não é nem doce nem salgado, é utilizado pelas mães italianas para fazer as criançinhas comer rápidamente. No fundo foi aquilo que os teus “heróis” fizeram, será por uma placazinha com os dizeres ”...nesta casa faleceu o grande escritor...” ou ainda o pastiche no Chiado do teu “herói do norte”, que fez um prédiozinho, de azulejo azul cueca, com parede cega voltada a Sul (!) à desculpa são as cozinhas, pois olha bem, foi preciso esperarmos 250 anos para um anormal destruir a perspectiva da Rua Vitor Cordon rasgada contra o pôr do sol, o mesmo anormal que não viu que todos os predios na colina têm janelas voltadas ao rio. Ah! Foi de propósito ele é comunista, odeia os “ricos” que compraram os apartamentos, é bem feita!
Siza destruiu o Largo do Chiado com a mega saída de Metro pois não está adpatada à escala do largo, realizou pastiches na Rua do Carmo, na Rua António Maria Cardoso e Rua do Alecrim, foi transportado ao colo por ignorantes e pretensamente cultos, apesar de comunista permitiu aquela especulação desarmoniosa, deixando-se subjugar por meros interesses. O Tainha, subjugou-se também, não soube transmtir ao seu cliente, a mais valia do prédio por ser onde morreu Almeida Garrett, a sua vaidade vai ao ponto de destruir a frente histórica da cidade de Lisboa, podes creer que será recordado desta forma, não tenhas ilusão.
É lamentável, tal como o resto do rebanho, do provincianismo, é assustador, ainda não percebeste que Portugal é uma nação antiga, com valerosos heróis, demos lições ao mundo de coragem (as descobertas), de humildade e humanidade (reconstrução da Baixa), mas existem alguns como o imbecil do Saramago e outros como tal, que percistem em destruir a nossa história e valores, (insinuando que D.Pedro era homosexual e outras coisas do mesmo genero). Não aceito essa subjugação americana (destruição dos icónes europeus) de Saramago, Siza e outros, que pretendem destruir as referencias e a nossa identidade. Já pertenciamos à Europa antes da UE, não pago esse preço da subserviência económica, descaracteriza-nos, temos que saber garantir as nossas tradiçoes e identidade.
Não vês que o modelo modernista encontra-se esgotado. A excitação e exaltação egocêntrica já não é novidade, ainda que alguns arquitectos numa ultima tentativa de estarem na crista da onda e numa busca incessante e pueril da originalidade queiram chocar e surpreender as pessoas. O vazio ideológico é notório, e o social-idealismo modernista encontra-se ultrapassado. Porque já não vivemos numa sociedade tradicional que a geração dos modernistas procuraram mudar em nome do progresso, hoje encontram-se sem argumentos para criticar a sociedade tecnológica em que vivemos nos mesmos termos. Por este motivo é necessário mantermos a nossa identidade.
Vá lá pensa bem! E não comas tudo o que te dão, exige sempre o melhor!



*/1 animal irracional; 2 quadrúpede; etc ...Dicionário Porto editora 2004

 
At 10:52 da manhã, Blogger André Bernardes said...

pim, pam, pum...menos um Dantas!?

sem querer descer ao mesmo nível deste interlocutor bizarro, malcriado e furibundo (talvez traumatizado pela urbanidade da Baixa, pois deve ser daqueles que resolveu isolar-se no campo!? talvez em Sintra, mas com o IC19, fica igual ou pior ;) apenas alerto que a nossa língua, talvez o nosso maior património, não é para maltratar, tal como os nossos valores, heróis contemporâneos da arquitectura (e literatura) pois, deve-se escrever valoroso e não 'valeroso', persistem e não 'percistem', ícones e não icónes...
ou será uma busca desesperada de originalidade?
outra coisa: mas quem falou de 'modernistas'? - esses foram os da Brasileira, o grupo de café do Almada...esse inimigo de estimação, e enorme vulto das letras e artes plásticas...não o Dantas!?

 
At 6:52 da tarde, Blogger Goncalo Cornelio da Silva said...

Karo André
Prezo muito em saber que çabes esquerever....continua...mé,mé,mééééé....
E verdade que escrevo male a minha lingua, defurmação académica uma vez que estudei fora de Portugal, fica trankuilo que dezenho melhor.
Não vivo em Sintra, mas sim em Lisboa, com a Sé aos meus pés!
E tenho todo o gosto em te convidar para ver a beleza da vista de minha casa, ensinas-me a esquerever (e falar) e eu arkuitectura.
A corrente modernista na arquitectura rompeu com a historia mais ou menos por volta de 1923-1927,no principio do uso do betão armado, com corbusier, e outros como o "Principe de Prata" que foi para Harvard dar aulas e queimou todos os livros, tratados,etc...Vide Carta de Atenas, e as ideologias marxistas que a suporta posteriormente e no final do seculo passado alguns procuram nas filosofias nihilistas de Jacques Derrida e Michel Foucault forma de serem originais, e exaltarem o ego.
Fica com os teus "iróis", eu tenho os meus.

 
At 4:06 da tarde, Blogger André Bernardes said...

Excerto da Carta de Almada Negreiros a Sónia Delaunay, datada de 1916:

«Votre lettre, Madame, était exagérée de beauté, et j’ai peine de ne savoir écrire le français pour vous dire tout ce que j’en ai compris. (…) Je vous envie là-haut, dans cet abandon créateur, entre la mer et le soleil. Ici, si bas, je ne suis que métamorphoses.

Ici, dans la Ville chimiquement fiévreuse, dans cet abandon transversal où tout le monde fume pour se distraire et faire la digestion, rien ne change. Moi aussi, je suis toujours José.

Je suis un gavroche malhonnête qui attend d’avoir fini l’école pour commencer à naître à sa vie turbulente. Ma poésie n’est pas distraite, ma délicatesse, oui. Mais j’ai fait des poèmes avec des yeux blonds, âgé de trois ans et les jambes nues, sur les plages.

J’ai chanté aussi les monstres perpendiculaires des sculptures à briser, et le silence des mes chaises, assises et maigres et sans foi. J’ai voulu donner au monde la révélation nette de ce qu’il ne veut pas voir de ses yeux naifs. Et dans des rythmes exagérés d’esclave empoisonné.

C’est la scène de la haine. C’est un cri européen et blond du Nord. Je chante ici mon grand désir d’être danseur de force et d’avoir des yeux tout blancs.

Je pense toujours à nos poèmes en couleurs, mais je sais que je n’en ai pas encore fait un digne de ma gloire avec votre belle collaboration. (…) Je travaille toujours, toujours, enchanté par votre inspiration.»

 

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