quarta-feira, novembro 22, 2006

a tapa-rios e empata-transito mais alta da europa -- mais um dos meus problemas

gosto da vista da minha casa. é uma das razões por que comprei a casa e enterrei nela milhares e milhares e milhares de euros em reabilitação, coisitas como casas de banho (não tinha), aquecimento (era um gelo no inverno), etc, mais o arranjo do prédio -- tudo à custa aqui da malta condómina, porque quando inquirimos sobre as hipóteses de recorrer a um fundo daqueles tipo recriph ou recria houve logo alguém que pressurosamente nos informou de que conhecia 'um engenheiro na câmara' que tratava de tudo e garantia que teríamos uma comparticipação -- for a price, tipo 10% do valor das obras. garantia a pessoa em causa que era assim que a coisa 'funcionava'. verdade ou mentira, resolvemos nem sequer tentar. e tungas, pagámos nós. claro que quando o prédio for reavaliado para ajuízar das prestações dos impostos, ninguém nos vai perguntar quanto dinheiro é que já aqui enterrámos e o que fizémos para que uma rua no coração da zona histórica de lisboa ficasse com melhor aspecto.

mas enfim, nem era disto que eu queria falar. do que eu queria falar era daquela aventesma descomunal que por esta altura é montada ali na praça do comércio, mais ou menos a meio da minha janela para o rio e que é anunciada como a 'árvore de natal mais alta da europa'. presumo que para aí na américa, na ásia ou em áfrica deve haver alguma maior. mas mais feia não sei. e mais mal colocada também é difícil. não só porque, como já tive ocasião de dizer, ocupa uma parte da minha vista de rio, à bulha com o arco da rua augusta, como porque arranja um sarilho de trânsito na baixa todas as noites, devido aos mares de carros que, sabe-se lá porquê, nada de melhor têm para fazer que ir à praça do comércio ver aquela maravilha. como toda a gente sabe que a baixa é um sítio onde nunca passam carros e que precisa de mais, a ideia é mesmo muito boa.

mais uma das ideias brilhantes da câmara a juntar à de gastar sei lá quantas barbaridades em luzes de natal numa cidade em que se alguém levanta os olhos do chão para as espreitar corre sérios riscos de ficar com uma incapacidade para a vida graças ao estado dos pavimentos. faz lá que faz umas fotos bonitas faz. e isso é que interssa, não é?

f.

4 Comments:

At 2:59 da tarde, Blogger Pedro said...

Pobre e triste cidade!
Já solicitamos à CML dados sobre quanto custa e quem paga todo este arraial.
O maior-monte-de-lata-da-europa-sem-que-nada-o-justifique é inaugurado no próximo Domingo.
Acredito que se justifica uma concentração de todos os que estão contra este tipo de política na nossa cidade.
PP

 
At 3:21 da tarde, Blogger mfba said...

O ano pasado pasei por lá ainda se estava a montar e fiquei pasmada por alguém achar aquilo bonito.
Que ideia mais parva e pirosa.
Tenho pena de si, que durante mês e meio deixa de ver o rio.

 
At 4:11 da tarde, Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 4:13 da tarde, Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Um amigo meu, cínico incorrigível, costuma dizer - quando vê casas clandestinas junto ao mar:

- Não te preocupes, que a Natureza resolve.

Refere-se ele, como se percebe, ao avanço inexorável do mar, se não mesmo a um oportuno mini-tsunami.

Pode ser que, na Praça do Comércio, se repita a história...

_____

Por sinal, Eduardo Prado Coelho descobriu que a árvore é iluminada por «lâmpadas de incandescência com tecnologia LED» - seja lá isso o que for... - e que vai gastar «885KW por hora» (?)

 

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