segunda-feira, dezembro 04, 2006

Esta era a antiga residência do Governador do Forte do Bom Sucesso (ou Casa do Arco da Torre)



Ficava ao fundo da Avenida da Torre de Belém, junto aos semáforos. Hoje nada mais resta para além da fachada. Dela, diz o IPPAR, que estava em vias de a classificar desde 1991:

"Palacete seiscentista de volumetria simples, com dois pisos, rasgado no andar térreo por um túnel abobadado em madeira com arco em asa de cesto que o atravessa e permite passagem pública. As fachadas são ritmadas por pilastras adossadas, que distribuem ao nível do rés-do-chão janelas de verga recta ou curva e ao nível do segundo piso janelas de sacada, com grades de ferro forjado e um varandim já do século XIX. Na passagem rasgam-se, de cada lado, três portas de verga recta. Boa parte dos vãos de portas e janelas sofreram alterações no século XX, estando o edifício na posse de um particular."



Cronologia recente: 1983 - aquisição do imóvel pela agência imobiliária SODER, Sociedade de Imóveis do Restelo L.da; 1993 - penhora pela Fazenda Nacional; 1994 - cancelamento da penhora; 1994 - pedido de informação prévia apresentada à CML pelo gabinete de arquitectos Moura-George, relativamente a projecto de remodelação do imóvel com ampliação de volumetria e demolição das casas anexas, o qual é rejeitado pelo IPPAR por não se enquadrar no Plano de Pormenor da zona do Bom Sucesso, que não admitia alterações na volumetria construída (consta do Inventário Municipal do Património do PDM); 2001 - IPPAR rejeita projecto apresentado pela SODER para renovação e ampliação do imóvel, com vista à construção de um hotel; é entaipado o túnel de passagem, em risco de derrocada; 2003 - a Câmara Municipal de Lisboa impõe obras coercivas, em detrimento do proprietário; é retirada a lápide com inscrição do volume anexo. Seguidamente, o edifício arde espontaneamente.

Até quando vamos assistir a processos semelhantes a este?

Paulo Ferrero

(Fotos: DGEMN e IPPAR)

2 Comments:

At 11:44 da manhã, Blogger biclaranja said...

Já me tinha perguntado o que se estava a passar com a casa... Afinal foi só auto-combustão!
Cumpts.

 
At 5:12 da tarde, Blogger André Bernardes said...

recordo que trata(va)-se tão somente do contraponto formal ao Forte do Bom Sucesso, traduzido num diafragma, ou passagem em túnel, alinhando com a entrada daquele, e que talvez seja mais antigo que a própria Torre de Belém.
No traçado do parque fronteiro, ainda hoje se pode observar vestígios do trilho (R. da Praia do Bom Sucesso?) que os ligava, interrompido aquando da construção da linha do comboio e da via rápida.

A lição a tirar é, provavelmente, que, se em situações gritantes como esta, bem à vista de todos, não há uma resposta adequada e eficaz, se as coisas acabam por perder o seu sentido de urgência por esgotamento das partes intervenientes, embrulhadas nas suas próprias teias burocráticas e nas pequenas guerras de feudos, então o património está muito mal entregue, os instrumentos e organizações não funcionam.

Se o argumento é de que o Plano de Pormenor não previa as alterações, que permitiriam viabilizar as obras de recuperação, pergunta-se, porque não agilizar os processos de alteração? já que, muito provavelmente, quando este foi feito não se colocava a questão em concreto...ou seriam estas alterações assim tão críticas, polémicas para a identidade do conjunto? não creio, não posso acreditar!

de facto, há muitas coisas que precisam de mudar, devendo-se talvez por começar por tornar mais abertas, mais flexíveis e expeditas as entidades responsáveis - e que, aqui e agora, deveriam responder pelo estado a que se chega/chegou!

 

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